Numa palavra: surpreendente.
Luciano, amigo autor, numa explosão de verborragia.

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Limpa ou suja ela vem rapidamente... aproveitem!!! Mais minicontos
 

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Castro não estava satisfeito. E quando castro não estava satisfeito, alguém morria. Tinha o tráfico do Rio em suas mãos. Não chegara a posição atual levianamente; sempre cuidadoso, em tudo. Por isso contratara um contador chinês, que não sabia uma palavra de inglês, muito menos de português. Era uma idéia inteligente, pensava. Não teria amigos, dificilmente contaria os segredos do negócio Mas o próprio desgraçado o roubou. Dois milhões.

O contador, amarrado em uma cadeira e encharcado de gasolina, guinchava de dor em sons estranhos aos ouvintes, com exceção do professor de mandarim “contratado” pelo traficante.

— Acabou minha paciência — disse Castro. — Manda ele dizer onde está o dinheiro, ou o mato agora.
O prisioneiro disse que não sabia. O professor traduziu para o traficante

— Eu vou matar esse porra! Onde está os dois milhões, filha da puta? — Castro tinha um isqueiro nas mãos e o mantinha a centímetros do rastro de gasolina que ia terminar no corpo do chinês. — É sua última chance!

O contador engoliu em seco. Explicou ao professor que enterrara o dinheiro no quintal de uma casa abandonada, localizada na rua Dona Celeste, nº 9. Estava ao pé de um carvalho.

— O que esse merda falou? — a chama do isqueiro de Castro quase tocava a gasolina.

O professor voltou-se para ele, o rosto entristecido.

— Mandou o senhor se fuder, por que ele não vai falar porra nenhuma.

 
Andre Esteves
 

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Madeline terminava de dar a última pincelada no quadro estendido em sua frente. Analisara-o por alguns instantes procurando uma palavra que melhor pudesse definir tudo aquilo que sentia e que estivera tentando transformar em arte. Ao passar de dois minutos fora acometida por uma única palavra, a única que podia realmente definir tudo aquilo que via: Desespero. Sim! Era isso o que expressara em seu mais recente trabalho, o último de uma carreira que poderia ter sido brilhante, se não fosse por Bob.

  
Sempre odiara a cor vermelha e agora estava ela lá, predominante em sua pintura. Era Bob novamente, fazendo-se presente mesmo quando não estava mais por perto, era Bob quem gostava de vermelho, não ela. “Ah! Pobre Bob... essas coisas acontecem, quer dizer , - falou ela olhando para o homem deitado de bruços em sua cama, - ...tem de acontecer, ao menos com pessoas ruins como você!  Caminhou em direção ao homem, ainda com o pincel em uma das mãos, virou o corpo inerte em cima da cama, e perfurou-lhe a garganta mais uma vez, era o quinto furo que fazia. Inclinou-se e beijou-lhe os lábios dizendo: “Preciso de um pouco mais de tinta, querido!”
 
William Shmahl
 
   
   
 
   
 
 
 

 

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